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A decisão de iniciar ou retomar o processo de psicoterapia reflete persistência, coragem para mudar e desejo de levar uma vida melhor. A psicoterapia requer um ambiente que propicie condições de segurança para investigar o território psicológico, normalmente habitado por incertezas e desconhecimento, por fragilidades e simultaneamente por recursos de superação.

Antes de iniciar a intervenção com EMDR, o cliente precisa ser informado sobre o processo para obter melhor aproveitamento dessa abordagem psicoterápica que permite superar traumas antigos, recentes e aprimorar recursos pessoais.

Apesar de mobilizadores, os sintomas nem sempre são o melhor começo para trabalhar com EMDR. A queixa principal resulta de uma história de vida complexa, com momentos de conquista, bem como por obstáculos impostos por experiências traumáticas do passado. É importante levarmos em consideração a trajetória pessoal de cada um, e identificar quais lembranças positivas e negativas se relacionam aos sintomas perturbadores que contribuíram para a busca de psicoterapia.

A sistematização dessa pesquisa pode ocorrer por meio de levantamento cronológico das memórias mais significativas, ou seja, aquelas recordações que deveriam ser percebidas pela pessoa como pertencentes ao passado distante, mas que incomodam como se houvessem ocorrido há pouco tempo.

Feito esse levantamento, abre-se a possibilidade de acessar a memória traumática e reprocessar primeiramente o evento mais antigo até chegar aos dias atuais. Outro caminho pode ser iniciar pelos eventos menos perturbadores e seguir até as lembranças mais difíceis, ou vice-versa, conforme a necessidade de cada pessoa. Normalmente o reprocessamento de uma memória produz efeitos positivos em outras, com uma sensação de alívio generalizado.

Esse percurso de cura provavelmente demandará algumas sessões. De início escolhem-se os estímulos a serem empregados para auxiliar os hemisférios cerebrais a “metabolizar” o conteúdo emocional ainda não processado. Além da estimulação visual, há ainda a auditiva ou a tátil, que também podem ser utilizadas.

Durante o reprocessamento, é importante que o cliente tenha a sensação de controle. Cada indivíduo estipula seu próprio ritmo. A qualquer momento, poderá solicitar que a estimulação seja intensificada, acelerada, diminuída, modificada ou mesmo interrompida. Algumas pessoas sentem certo desconforto – em geral transitório – durante a recordação de situações delicadas do passado. Esse é um sinal de que mecanismos cerebrais de cura se encontram em atividade.

Depois do acesso estruturado da recordação traumática, segue-se a estimulação bilateral. Inicialmente são feitos poucos movimentos para que a pessoa se familiarize com o método de trabalho. Aos poucos, a frequência ou a intensidade da estimulação é aumentada. É como se fosse um carro que ganha velocidade para uma viagem que inclui trechos com trepidação. Quanto maior a aceleração, mais rapidamente esse material difícil e penoso pode ser atravessado.

Um dos elementos relevantes do EMDR denomina-se atenção dual. Isso significa a preservação simultânea de um foco de atenção na memória perturbadora a ser elaborada e outro foco no presente. Trata-se, portanto, do trânsito de atenção entre presente e passado. Algo do passado desperta medo, dor, tristeza, vergonha, raiva, etc.; mas é possível senti-lo com a sensação de estar a salvo no momento.

O acesso das vias neurais do cérebro prescinde da atenção forçada do cliente para funcionar. À semelhança da meditação, basta observar! Normalmente o começo é mais difícil. Com o andamento do processo, contudo, as impressões negativas tendem a ser substituídas por pensamentos positivos e sensações orgânicas de bem estar.

Como saber se algo foi ou não reprocessado? Quando uma lembrança que deveria estar no passado ainda incomoda como se estivesse no presente, cheia de detalhes como se houvesse ocorrido há pouco tempo, é forte indício de que haja fardo sendo carregado desnecessariamente. Quando uma lembrança que foi reprocessada passa a ser percebida com mais distanciamento, indica que estamos no caminho certo. É comum que a redução do incômodo seja acompanhada pela recuperação de outras lembranças positivas, cujo acesso era impedido por desconfortos do passado.

O EMDR é uma terapia relativamente não verbal. Durante o reprocessamento não é preciso conversar com o terapeuta “para sarar”. Apenas observar o que surge na mente ou no corpo da pessoa. Nos intervalos entre as séries de movimentos bilaterais pode-se compartilhar resumidamente o que o cliente percebeu. Não é preciso relatar pormenores.

Após a sessão, lembranças e sensações adicionais podem surgir. Quaisquer impressões, recordações ou sonhos devem ser anotados e discutidos na sessão seguinte. Caso persistam dúvidas, sinta-se à vontade para esclarecê-las antes de prosseguir.

Quando foi criado, o EMDR foi utilizado no tratamento de TEPT, tendo sua aplicação sido ampliada na prática clínica, principalmente em casos de transtorno de ansiedade generalizada, fobias, síndrome de pânico, depressões, disfunções sexuais, doenças psicossomáticas, dores crônicas, estratégias de coaching e outras questões.

Alguns medicamentos como benzodiazepínicos e anticonvulsivantes parecem interferir negativamente no reprocessamento, assim como anfetamina e cocaína. Existem restrições de uso nos casos de quadros psicóticos agudos ou condições orgânicas que sejam agravadas em decorrência de emoções intensas, como cardíacos e gestantes. Há necessidade de cuidados específicos ao usar EMDR com dependentes químicos, já que a evocação do trauma intensifica a ansiedade, podendo ocorrer maior consumo de substâncias psicoativas em determinadas fases do tratamento.

Como os traumas emocionais podem despertar emoções intensas e ab-reações, somente psicoterapeutas credenciados pelo EMDR Institute podem fazer uso dessa forma de psicoterapia, que inclui cuidados específicos e até mesmo restrições de uso, em determinadas situações.

Entrevista com Ana Gomez na TV Senado

 

 

As crianças estão sujeitas a traumas, desde muito cedo e em caso de precisarem de tratamento, quanto antes isso for feito, menor o tempo de sofrimento pelas consequências das memórias traumáticas em sua vida e na família toda. Frequentemente o tratamento é mais rápido com crianças do que com adultos.

Quando um bebê é inundado de maneira persistente por traumas, ou /e negligência de suas necessidades básicas, certos circuitos cerebrais tornam-se desorganizados.

Negligência, mau trato físico, sexual ou emocional de crianças, assim como trocas frequentes de figuras de apego durante os primeiros anos de vida afetam o desenvolvimento de estruturas do cérebro que regulam as emoções e a memória.

Emoções intensas com muito estresse podem ativar o sistema de alerta primitivo do cérebro, desencadeando reações neurofisiológicas e emocionais instintivas. Esse processo usa energia que seria usada para o crescimento e desenvolvimento normais.

O período de exposição ao trauma na vida de uma criança determina sintomas que ela desenvolve para lidar com ele. Os efeitos negativos do trauma crônico sofrido durante a primeira infância são profundos e duradouros. Podem levar a sérios transtornos emocionais afetando o funcionamento do ser humano a curto, médio e longo prazo.

Muitas vezes o trabalho com EMDR vai além de tratar os traumas, buscando a reparação do Apego e nesses casos o tempo de tratamento é maior. É preciso restabelecer sentimentos básicos de segurança, confiança em si e no mundo ao redor. Retomar seu crescimento e desenvolvimento emocional e às vezes até mesmo físico, que pode ficar estacionado na idade em que os traumas ocorreram. É preciso ajudar a criança a desenvolver recursos que não teve oportunidade de aprender ou desenvolver.

Por vezes, a família ou escola podem atuar perpetuando as situações que levam a criança a ficar traumatizada.

Está surgindo um consenso entre vários terapeutas de que muitas crianças traumatizadas estão sendo medicadas em excesso.

Segundo publicação de 2011 em Oakland Tribune:
Só no ano passado, as crianças americanas consumiram 16,3 bilhões de dólares em medicamentos anti-psicóticos. Pesquisadores como Van der Kolk e outros dizem que esses medicamentos estão destruindo a capacidade das crianças de se enquadrarem no mundo. “Aposto que metade das crianças que tomam esses medicamentos nunca será um membro funcional da sociedade”, disse ele. “É uma catástrofe nacional”.

Há uma boa razão para tanto interesse atual nas ciências do cérebro e sua influência sobre jovens traumatizados. “Sabemos mais sobre como o trauma afeta crianças do que sabemos sobre a Esquizofrenia, ou o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ou mesmo o Transtorno Bipolar”, disse Putnam. Scott Johnson Oakland Tribune Posted: 03/30/2011 12:00:00 AM PDT

Entre as crianças que são tratadas com medicamentos, há muitas que podem beneficiar-se do EMDR e diminuir as dosagens ou até mesmo deixar de tomar alguns medicamentos, após resolver traumas por situações vividas e muitas vezes por negligência durante o desenvolvimento.

O tratamento de crianças com a Terapia de EMDR costuma apresentar resultados muito bons, mesmo em crianças pequenas, sendo que a família muitas vezes é envolvida no processo.

O EMDR é adaptado para o uso com crianças, e essa já é uma especialização dentro da Abordagem porque é preciso manejo adequado para crianças.

Quando alguém vivencia uma situação traumática e não dá conta de processar e integrar dentro de seu espectro de possibilidades pessoais, o sistema de processamento de informação dessa pessoa é inundado e desativado pelo trauma, fazendo com que a informação obtida no momento do incidente fique congelada e intacta. Assim se manteriam incólumes as imagens, emoções e crenças geradas no momento original, perdurando sem mudanças ao longo da vida da pessoa. As lembranças de um trauma não entram na narrativa de vida do sujeito, enquanto nossas recordações habituais vão mudando ao longo do tempo.

Dessa forma, a pessoa traumatizada fica mais distante da família no que diz respeito ao trauma, já que ficou com parte sua congelada, sem trocas e atualizações familiares.

Na Terapia de EMDR é possível lidar com os traumas recentes e antigos, e a partir daí mobilizar recursos positivos que estavam inacessíveis devido ao bloqueio do trauma, e reprocessar as crenças limitantes em sua vida. Quando reprocessa os traumas, o potencial da pessoa fica mais acessível. Esses recursos individuais já mais acessíveis são então integrados na vida familiar.

Ao mesmo tempo, os recursos externos, provenientes da rede familiar e social em que cada indivíduo está inserido, formam o suporte de apoio, para que a pessoa lide com suas dores e limitações. A rede familiar e social se enriquece com as mudanças positivas vivenciadas por quem faz EMDR, uma vez que a tendência é haver maior integração das partes do eu e mais aceitação pessoal e dos outros.

As sessões de EMDR são feitas individualmente, sem a presença da família, mas às vezes é recomendável alternar sessões individuais e sessões familiares. Citando exemplo de caso: uma mãe deprimida, mais afastada, permanecia muito tempo em sua cama. Com isso deixou espaço para que os 2 filhos adolescentes almoçarem em frente a televisão, e cada um tomasse suas decisões, tendo pouca supervisão dos pais. Isso resultou em uma situação de perda de poder da mãe na família e um grande afastamento do casal. Ao reprocessar seus traumas, ela foi recobrando o poder, liberando seu potencial e superou a Depressão. Em consequência surgiram novos problemas com os filhos e o marido, e nesse caso as sessões familiares aceleraram o processo de acomodação da família, nessa nova fase que começava.

Nas sessões familiares, a família lida com as repercussões das mudanças do familiar que faz o EMDR. Ao mesmo tempo, as mudanças familiares vão interferindo nos movimentos individuais de melhoria em questões específicas, e consequentemente, na qualidade de vida de cada um.

Em muitas vezes, as mudanças ocorridas no EMDR são rápidas e a família tem dificuldade para adaptar-se ao que está surgindo com seu familiar, e consequentemente, interferindo na dinâmica da família.

Os problemas de um casal precisam ser analisados de forma conjunta, mas também vendo a parte individual de cada um, além dos sistemas em que estão envolvidos, como cultura, religião e família extensa.
O EMDR por ser uma abordagem focal e integrativa, funciona muito bem para a ajudar um casal a abrir possibilidades que não conseguia até então, de redirecionar sua trajetória, incluindo novas soluções.
As sessões de processamento dos membros do casal podem acontecer em sessões conjuntas ou de forma privada. Com cada uma das duas pessoas envolvidas, em separado. Cada um dos dois estando mais curado de suas “feridas emocionais” acessa melhor seu potencial e fica mais livre para o relacionamento com o outro.
Nas sessões de processamento com EMDR cada um pode tratar suas memórias e crenças pessoais, que estão limitando as interações conjugais. As sessões conjuntas focam as interações problemáticas que acontecem na dinâmica do casal, levando em conta as posições individuais frente a essas dinâmicas. Porém, é fundamental o espaço individual para que cada um possa lidar com suas vulnerabilidades.

Adição e Compulsão são condições complexas. A pessoa comumente levou tempo para estruturar condutas, pensamentos de forma mal adaptativa, e vai levar tempo para desarmar e reestruturar uma nova vida. Geralmente é preciso acompanhamento medicamentoso, especialmente nas fases iniciais, e em termos ideais, uma equipe deve contribuir para a recuperação da pessoa que está lutando com essas questões: médico, nutricionista, psicoterapeuta, família, etc.

É uma maneira disfuncional de enfrentar as dificuldades da vida. A pessoa tenta “medicar” a dor emocional, proveniente de lembranças que não foram processadas de forma adaptativa. Nesse estado, não se consegue realizar aprendizagem de novos comportamentos devido às lembranças dolorosas e traumas anteriores. O indivíduo não percebe que tem escolha entre fazer ou deixar de fazer algo.

Para livrar-se da Adição é preciso alcançar a sobriedade e esse pode ser um processo curto ou longo, mas necessário. Essa fase ainda não é a “cura”, mas cria espaço onde se pode lidar com as lembranças traumáticas e a recuperação emocional. A sobriedade permite romper o círculo vicioso da adição. A mudança neuroquímica nos hábitos leva no mínimo 21 dias para acontecer.

Há diferentes tipos de Adições e Compulsões: dependência química, compulsão alimentar, adição à pornografia, dependência de drogas e álcool, tabagismo, e outras.

O processo de recuperação tem três etapas:

Diagnóstico – levantamento da situação.

Terapêutica – tratamento das dificuldades e dessensibilização das lembranças dolorosas, que são os traumas.

Aprendizagem – desenvolvimento de novas condutas mais funcionais.

É preciso reprocessar os traumas e os disparadores que levaram a pessoa a atuar na adição e compulsão, e romper os condicionamentos secundários que servem de disparadores para a atuação. As lembranças processadas de forma não adaptativa fazem parte da causa do comportamento aditivo /compulsivo, além da vulnerabilidade genética, e comportamentos ou condutas aprendidas desde a infância e adolescência.

Além do trabalho de reprocessamento é preciso aprender novas condutas mais funcionais. Desenvolver habilidades mais funcionais para viver o futuro de maneira mais adaptativa e saudável.

Recuperar-se significa enfrentar e aprender novas formas de viver, e o EMDR tem o poder de restaurar a possibilidade de escolher. Na medida em que a pessoa vai “digerindo” lembranças passadas, adquire cada vez maior possibilidade de escolher como quer viver no presente e no futuro.

Nossas atitudes, pensamentos, sentimentos, escolhas, são sempre a partir do que acreditamos, de como vivenciamos as situações cotidianas. Cada pessoa tem seus próprios filtros, usa seus próprios óculos para viver. Quanto mais alguém puder superar suas dificuldades, aumenta suas possibilidades de atingir um desenvolvimento mais pleno de seu potencial humano de forma geral, incluindo o trabalho.

A terapia de EMDR visa promover uma resolução apropriada, adaptativa e ecológica às queixas atuais do cliente e incorporar novas habilidades, comportamentos e crenças positivas sobre si mesmo, otimizando sua capacidade de responder adaptativamente ao contexto atual de vida.

Reprocessando memórias do passado que impedem a pessoa de viver melhor no presente, melhora-se o acesso ao potencial para realização profissional. Quando alguém faz um treinamento para melhorar uma competência profissional requerida em seu trabalho, é comum chegar a pontos ligados a memórias traumáticas e nesses casos o EMDR atua “destravando” a pessoa em seus impedimentos pessoais.

(leia em ARTIGOS: Terapia de EMDR Melhora Performance e Vida de Executivos)

Durante a vida, nossas memórias vão sendo “armazenadas” em redes associativas de memórias no cérebro e se tornam a base da percepção, das atitudes e comportamentos de cada um. Elas afetam relacionamentos, formas de se vincular aos demais.

As experiências são traduzidas em memórias fisicamente arquivadas, então o EMDR pode ser útil para tratar memórias somáticas e alguns distúrbios psicossomáticos.

Temos atendido muitas pessoas com queixas de doenças psicossomáticas e dores. A dor pode acontecer por inúmeras razões; normalmente é sinal de que alguma coisa não está bem. Entretanto, às vezes a dor pode persistir além do que se considera funcional e a longo prazo, pode ocasionar mudanças no sistema nervoso que podem inclusive, passar a manter a dor. O EMDR é um meio de estimular o sistema nervoso com objetivo de ajudar na mudança das respostas a dor.